Iniciou a sua vida profissional como atriz, tendo-se dedicado ao rádio e ao teatro, até voltar-se para a literatura. Com a obra Os colegas (1972) conquistou um público que se solidificou com Angélica (1975), A casa da madrinha (1978), Corda bamba (1979), O sofá estampado (1980) e A bolsa amarela (1981). Por estes livros recebeu, em 1982, recebeu o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário infantil, uma espécie de Prêmio Nobel da literatura infantil. O prêmio foi concedido pela International Board on Books for Young People, filiada à UNESCO. Os colegas já antes havia conquistado o primeiro lugar no Concurso de Literatura Infantil do Instituto Nacional do Livro (INL), em 1971, com ilustrações do desenhista Gian Calvi.
Lygia Bojunga Nunes tem recebido reiterados elogios da crítica
especializada, quer brasileira, quer estrangeira. No cenário brasileiro,
com frequência tem sido reportada como a herdeira ou sucessora de Monteiro Lobato,
por estabelecer um espaço em que a criança tem — através da liberdade
da imaginação — uma chave para a resolução de conflitos, o que Monteiro
Lobato mostrou saber fazer com maestria1 . Algumas vezes, no cenário internacional, costuma-se compará-la a Saint-Exupéry e a Maurice Druon, pela notável sensibilização infantil destes através de O Pequeno Príncipe e O Menino do Dedo Verde, respectivamente. Com efeito, misturando com habilidade o real e a fantasia, Lygia alcança, num estilo fluente, entre o coloquial e o monólogo interior, perfeita comunicação com seu leitor.Consciente de que literatura é comunicação, a autora não recusa tratar de temas considerados problemáticos, como suicídio, em 7 Cartas e 2 Sonhos (1983) e O Meu Amigo Pintor (1987); assassinato, em Nós Três (1987) e abandono dos filhos pela mãe, no conto "Tchau", no volume de mesmo nome (1984).
Com o livro Um Encontro com Lygia Bojunga Nunes (1988), reuniu textos sobre sua relação com a literatura, apresentando, de forma dramatizada, o resultado de seu trabalho. Esse é também o início de uma reflexão metaliterária, que se estende por Paisagem e Fazendo Ana Paz, ambos de 1992, onde refletiu sobre o que é fazer literatura, fazendo literatura, linha que tem em Feito à Mão (1996), uma realização radical, pois o livro foi feito com papel reciclado e fotocopiado — uma alternativa à produção industrial.
Com Seis vezes Lucas e O Abraço, também de 1996, retoma um tema instigante deste final de século: uma literatura dirigida a qualquer leitor, estando no objeto-livro a maneira de adequá-la às diversas etapas da vida humana.
É um dos maiores nomes da literatura infanto-juvenil brasileira e mundial, assim consagrada pela qualidade de sua obra e caracterização da problemática da criança, acuada dentro do núcleo familiar.
Sua obra já foi publicada em alemão, francês, espanhol, sueco, norueguês, islandês, holandês, dinamarquês, japonês, catalão, húngaro, búlgaro e finlandês.
Seus livros têm sido altamente recomendados pela crítica européia e estão sendo radiofonizados em vários países, sendo que um deles,Corda bamba, foi filmado na Suécia. Casada com um inglês, vive parte de seu tempo em Londres e parte no Rio de Janeiro. A autora prepara uma transposição para o teatro de 7 cartas e 2 sonhos.
Obras
- Os Colegas - 1972
- Angélica - 1975
- A Bolsa Amarela - 1976
- A Casa da Madrinha - 1978
- Corda Bamba - 1979
- O Sofá Estampado - 1980
- Tchau - 1984
- O Meu Amigo Pintor - 1987
- Nós Três - 1987
- Livro, um Encontro - 1988
- Fazendo Ana Paz - 1991
- Paisagem - 1992
- Seis Vezes Lucas - 1995
- O Abraço - 1995
- Feito à Mão - 1996
- A Cama - 1999
- O Rio e Eu - 1999
- Retratos de Carolina - 2002
- A Bolsa Amarela - 2005
- Aula de Inglês - 2006
- Sapato de Salto - 2006
- Dos Vinte 1 - 2007 (coletânea de capítulos dos livros anteriores)

Amo o livro Bolsa Amarela. Indispensável para qualquer infância...
ResponderExcluirO livro aula de inglês também é muito bom...
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